Exmo.Sr. Vereador, e irmão em Cristo
Com relação à demolição do Elevado Costa e Silva, pretendido pela PMSP, a minha idéia seria preservar-lo, mas reaproveitando o mesmo com uma linha de onibus semelhante ao Expresso Tiradentes, que iria beneficiar bastante a população. Faria um Terminal no Brás e outro em Perdizes.
S.Paulo, 19/10/2010
JOÃO EUCLIDES DE LACERDA (euclideslacerda@hotmail.com)
Sr. Vereador,
acompanho seus esforços no trabalho de proteção a criança e ao adolescente, pois é um dos assuntos que me interessam e muito.
Trabalhei em um abrigo da Prefeitura de Guarulhos durante 10 meses e foi uma experiência marcante, em virtude das muitas histórias absurdas de violência contra crianças e adolescentes.
Como tenho acompanhado, vejo que o Sr. alerta ao fato de que a violência sexual, na maioria dos casos, é realizada por alguém próximo da criança.
Talvez posso estar fazendo uma ligação incoerente, mas estive pensando no que pode ser feito em relação a crianças e adolescentes cujos pais não zelam por sua integridade, na totalidade.
Para que eu possa me fazer entender, minha mensagem será mais extensa do que gostaria.
Moro no bairro da Penha, na Zona Leste, em uma rua relativamente tranquila. Durante às férias escolares e após o término, durante os finais de semana, um grupo de aproximadamente 12 garotos e garotas, com idades entre 8 e 16 anos, durante o dia e a noite permanece reunido nesta rua. Até aí, não haveria nenhum problema, não fosse o horário ao qual se estende a "reunião" deles: 2:00 da madrugada. Isso, porque diversas vezes temos (minha família e outros vizinhos) que solicitar que diminuam o barulho de seus aparelhos eletrônicos e que diminuam o volume das vozes, vez que as conversas não são das mais adequadas para adultos, quanto mais à crianças.
Apesar de nem todos demonstrarem respeito quando abordados para que façam menos barulho, é verdade que a maioria pede desculpa e inclusive repreende aqueles mais "exaltados" com a bronca. Mas infelizmente o processo de repete a cada sexta-feira, sábado e domingo.
Enfim, o que eu quero de fato ilustrar é a responsabilidade dos pais nestas ocasiões. Já que não nos dispomos (mais uma vez não falo só por mim e também pelos vizinhos) a conversar com os "responsáveis", pois deduzimos que: se deixam seus filhos, desta idade, até altas horas da madrugada fora de casa, não devem estar muito preocupados com o que acontece lá. Devo frisar que, deste grupo em especial, apenas três garotas, de 8, 12 e 15 anos, moram na rua citada. Os demais moram nas proximidades.
Outrossim, nunca fomos procurar os pais por causa dos conhecidos envolvimentos com a criminalidade da região, já que estamos "colados" a imensa favela do Tiquatira.
Sr. Vereador, tomo seu tempo até mesmo como uma forma de desabafo, pois sei o quanto é difícil resolver situações como esta e não estou pedindo uma solução.
Peço sim uma luz, ou um projeto que vise alterar o ECA, para que pais como estes sejam mais "fiscalizados" quanto a sua responsabilidade.
Será que não temem pela segurança de seus filhos? Ou até mesmo pela saúde, pois faça chuva, sol, frio, calor ou sereno, estão fora de suas casas?
De toda forma, o elo de ligação desta história, que com certeza não é única ou exclusiva, e também talvez não tenha muito a ver com sua luta contra a violência, é a NEGLIGÊNCIA DOS RESPONSÁVEIS, que podemos observar.
Por fim, agradeço e peço que continue com o excelente trabalho.
Daniela (danijuliao@gmail.com)